DIOCESE DE BAURU E SÃO VICENTE
DUCADO DA MANTIQUEIRA
CONDADO ECLESIÁSTICO DE APARECIDA
Catedral-Santuário
Nossa Senhora da Conceição Aparecida
Solene Ação Litúrgica da
Paixão e Morte do Senhor

O corpo celebrativo ingressa na catedral-santuário em silêncio e chegando diante do altar todos se ajoelham enquanto o senhor bispo se prostra por um instante.
Silêncio
Dom Osvaldo: Ó Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu a todo o gênero humano. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim como trouxemos pela natureza a imagem do homem terrestre, possamos manter pela graça a imagem do homem celeste. Por Cristo, nosso Senhor.
Todos: Amém.
Leitura do Livro do Profeta Isaías
Ei-lo, o meu Servo será bem-sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo — tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano —, do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram.
Quem de nós deu crédito ao que ouvimos? E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor? Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca. Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele. A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!
Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura. Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós.
Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi atormentado pela angústia e foi condenado. Quem se preocuparia com sua história de origem? Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer. Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal, nem se encontrou falsidade em suas palavras. O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor.
Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu Servo, o Justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas. Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores.
Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.
Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Senhor, eu ponho em vós minha esperança;
que eu não fique envergonhado eternamente!
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito,
porque vós me salvareis, ó Deus fiel!
Tornei-me o opróbrio do inimigo,
o desprezo e zombaria dos vizinhos,
e objeto de pavor para os amigos;
fogem de mim os que me veem pela rua.
Os corações me esqueceram como um morto,
e tornei-me como um vaso espedaçado.
A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,
e afirmo que só vós sois o meu Deus!
Eu entrego em vossas mãos o meu destino;
libertai-me do inimigo e do opressor!
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,
e salvai-me pela vossa compaixão!
Fortalecei os corações, tende coragem,
todos vós que ao Senhor vos confiais!
Leitura da Carta aos Hebreus
Irmãos: temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.
Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus, por aquilo que ele sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.
Todos ficam de pé para escutar o evangelho.
Christus factus est pro nobis
Obediens usque ad mortem,
Mortem autem crucis.
Proper quod et Deus exaltavit illum,
Et dedit illi nomen,
Quod est super omne nomen.
Narrador: Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse:
Dom Osvaldo: “A quem procurais?”
Narrador: Responderam:
Todos: “A Jesus, o Nazareno”.
Narrador: Ele disse:
Dom Osvaldo: “Sou eu”.
Narrador: Judas, o traidor, estava junto com eles. Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra. De novo lhes perguntou:
Dom Osvaldo: “A quem procurais?”
Narrador: Eles responderam:
Todos: “A Jesus, o Nazareno”.
Narrador: Jesus respondeu:
Dom Osvaldo: “Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem”.
Narrador: Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:
Dom Osvaldo: ʽNão perdi nenhum daqueles que me confiasteʼ.
Narrador: Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. Então Jesus disse a Pedro:
Dom Osvaldo: “Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?”
Narrador: Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o Sumo Sacerdote naquele ano. Foi Caifás que deu aos judeus o conselho:
Leitor 1: “É preferível que um só morra pelo povo”.
Narrador: Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote. Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do Sumo Sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. A criada que guardava a porta disse a Pedro:
Leitor 2: “Não pertences também tu aos discípulos desse homem?”
Narrador: Ele respondeu:
Leitor 1: “Não!”
Narrador: Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. Entretanto, o Sumo Sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. Jesus lhe respondeu:
Dom Osvaldo: “Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse”.
Narrador: Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo:
Leitor 2: “É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?”
Narrador: Respondeu-lhe Jesus:
Dom Osvaldo: “Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?”
Narrador: Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o Sumo Sacerdote. Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe:
Leitor 2: “Não és tu, também, um dos discípulos dele?”
Narrador: Pedro negou:
Leitor 1: “Não!”
Narrador: Então um dos empregados do Sumo Sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse:
Leitor 2: “Será que não te vi no jardim com ele?”
Narrador: Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou. De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse:
Leitor 1: “Que acusação apresentais contra este homem?”
Narrador: Eles responderam:
Todos: “Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!”
Narrador: Pilatos disse:
Leitor 1: “Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei”.
Narrador: Os judeus lhe responderam:
Todos: “Nós não podemos condenar ninguém à morte”.
Narrador: Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe:
Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?”
Narrador: Jesus respondeu:
Dom Osvaldo: “Estás dizendo isso por ti mesmo, ou outros te disseram isso de mim?”
Narrador: Pilatos falou:
Leitor 1: “Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?”
Narrador: Jesus respondeu:
Dom Osvaldo: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”.
Narrador: Pilatos disse a Jesus:
Leitor 1: “Então, tu és rei?”
Narrador 1 – Jesus respondeu:
Dom Osvaldo: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.
Narrador: Pilatos disse a Jesus:
Leitor 1: “O que é a verdade?”
Narrador: Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes:
Leitor 1: “Eu não encontro nenhuma culpa nele. Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos Judeus?”
Narrador: Então, começaram a gritar de novo:
Todos – “Este não, mas Barrabás!”
Narrador: Barrabás era um bandido. Então Pilatos mandou flagelar Jesus. Os soldados teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, aproximavam-se dele e diziam:
Todos: “Viva o rei dos judeus!”
Narrador: E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu de novo e disse aos judeus:
Leitor 1: “Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum”.
Narrador: Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes:
Leitor 1: “Eis o homem!”
Narrador: Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar:
Todos: “Crucifica-o! Crucifica-o!”
Narrador: Pilatos respondeu:
Leitor 1: “Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum”.
Narrador : Os judeus responderam:
Todos – “Nós temos uma Lei, e, segundo essa Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”.
Narrador: Ao ouvir essas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus:
Leitor 1 – “De onde és tu?”
Narrador: Jesus ficou calado. Então Pilatos disse:
Leitor 1 – “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?”
Narrador: Jesus respondeu:
Dom Osvaldo: “Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior”.
Narrador : Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam:
Todos – “Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César”.
Narrador: Ouvindo essas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado “Pavimento”, em hebraico “Gábata”. Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus:
Leitor 1: “Eis o vosso rei!”
Narrador: Eles, porém, gritavam:
Todos: “Fora! Fora! Crucifica-o!”
Narrador: Pilatos disse:
Leitor 1: “Hei de crucificar o vosso rei?”
Narrador: Os sumos sacerdotes responderam:
Todos – “Não temos outro rei senão César”.
Narrador: Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram. Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado “Calvário”, em hebraico “Gólgota”. Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”. Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos:
Todos – “Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas sim o que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus’”.
Narrador: Pilatos respondeu:
Leitor 1: “O que escrevi, está escrito”.
Narrador: Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo. Disseram então entre si:
Todos – “Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será”.
Narrador: Assim se cumpria a Escritura que diz: “Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica”. Asim procederam os soldados. Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe:
Dom Osvaldo: “Mulher, este é o teu filho”.
Narrador: Depois disse ao discípulo:
Dom Osvaldo: “Esta é a tua mãe”.
Narrador: Dessa hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse:
Dom Osvaldo: “Tenho sede”.
Narrador: Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse:
Dom Osvaldo: “Tudo está consumado”.
Narrador : E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Todos se ajoelham e permanecem um instante em silêncio. Levantando-se continua-se a narração.
Narrador: Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas de um e, depois, do outro que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu, dá testemunho, e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. E outra Escritura ainda diz: “Olharão para aquele que transpassaram”. Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus — mas às escondidas, por medo dos judeus —, pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus.
Palavra da Salvação.
Todos: Glória a vós, Senhor.
Homilia
Majestades, Dom Gustavo e Dona Stefany,
Irmãos e irmãs em Cristo,
Nesta tarde o universo se cala diante do escândalo da Cruz. Seja para o grego, seja para o Judeu a cruz é um escândalo. Quem poderia imaginar um Deus crucificado? O próprio profeta parece escandalizado: “Quem poderia crer no que viram nossos olhos?”
João inicia e termina sua narrativa em um jardim. Num jardim Deus criou o homem e do seu lado tirou a mulher. Num novo jardim, Deus recria a humanidade e tira do lado transpassado de Cristo a Igreja, sua esposa. Do Getsemani ao Calvário é uma obra de recriação que Deus está realizando por meio de seu filho.
Em termos humanos, a cruz parece uma derrota terrível. Jesus é abandonado por seus seguidores, condenado pelas autoridades religiosas e políticas. Poderia se crer que se tratava de um amaldiçoado por Deus. E de fato o era … mas não da forma que muitos pensavam …
A maldição que caiu sobre Ele foram nossos pecados. Na cruz nós contemplamos o horror do pecado humano, o que existe de mais degradante e terrível em nossa natureza. Milênios de história já registraram as maiores barbáries que a humanidade é capaz de cometer. Pilatos, bem declaro: “Eis o homem!” Podemos dizer hoje sobre a cruz temos retratada a humanidade decaída, corrompida, afastada de Deus e de seu projeto de amor.
Se o crucificado nos revela o que há de pior na humanidade, ele também nos revela a humanidade restaurada. O horror das chagas contrasta com o semblante pacífico do crucificado. Como ovelha conduzida ao matadouro. Ele não reclama, ele não amaldiçoa sequer seus algozes. Antes, ele tudo entrega ao Pai. Eis a dinâmica do amor trinitário escancarada na cruz. O Pai dá tudo ao Filho e este tudo devolve ao Pai e do amor de amor procede o Espírito soprado sobre nós do alto da Cruz. A cruz é um convite constante para que a humanidade entre nesta dinâmica de amor e entrega. Se há algo de doloroso na cruz, com certeza há algo de glorioso, mas para entender isso é necessário olhar para além das aparências deste mundo, afinal, o Reino de Jesus “não é deste mundo”. E é justo sobre a cruz que ele inaugura este Reino.
Contemplemos a cruz, nesta tarde, meus irmãos, não com escândalo, nem com medo, mas com admiração. Como pode Deus nos amar assim? Contemplemos nela a nossa glória e a nossa salvação. Deixemos nos interpelar por este amor trinitário e deixemo-nos inundar por este espírito vivificante que dela brota. Aceitemos nos crucificar com Cristo na cruz a fim de entrarmos nesta dinâmica de amor-entrega que leva a plenitude da ressurreição.
Ao beijarmos a cruz não o façamos como um simples geste de piedade ou de compaixão por aquele que nela sofreu e morreu, mas antes com sincero desejo de tomarmos parte também nós neste mistério de amor.
Após um instante de silêncio o diácono convida à oração universal.
Diácono: Oremos, irmãos e irmãs caríssimos, pela santa Igreja de Deus: que o Senhor e nosso Deus lhe dê a paz e a unidade, que ele a proteja por toda a terra e nos conceda uma vida calma e tranquila, para sua própria glória. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, que em Cristo revelastes a vossa glória a todos os povos, velai sobre a obra do vosso amor, para que vossa Igreja, presente no mundo inteiro, persevere inabalável na fé e proclame sempre o vosso nome. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos pelo nosso Santo Padre, o Papa Leão, para que Deus nosso Senhor, que o escolheu para o episcopado, o conserve são e salvo à frente da sua Igreja, para governar o povo santo de Deus. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, em cuja sabedoria tudo tem seu fundamento, dignai-vos escutar nossos pedidos e protegei com amor o Pontífice que escolhestes, para que o povo cristão, que governais por meio dele, possa crescer em sua fé. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos pelo nosso Patriarca Antônio, pelo nosso Bispo Osvaldo, por todos os bispos, presbíteros e diáconos da Igreja e por todo o povo fiel. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, que santificais e governais pelo vosso Espírito todo o corpo da Igreja, escutai as súplicas que vos dirigimos pelos vossos ministros, e fazei que todos, pelo dom da vossa graça, vos sirvam com fidelidade. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos pelos catecúmenos: que o Senhor e nosso Deus abra os ouvidos dos seus corações e a porta da misericórdia, para que, tendo recebido nas águas do batismo o perdão de todos os seus pecados, sejam incorporados no Cristo Jesus, nosso Senhor. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, que por novos filhos e filhas tornais fecunda a vossa Igreja, aumentai a fé e o entendimento dos catecúmenos, para que, renascidos na fonte do batismo, sejam contados entre os vossos filhos adotivos. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos por todos os nossos irmãos e irmãs que creem no Cristo, para que nosso Deus e Senhor se digne reunir e conservar na unidade da sua Igreja todos os que vivem segundo a verdade. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, que reunis o que está disperso e conservais o que está unido, velai sobre o rebanho do vosso Filho. Que a integridade da fé e os laços da caridade unam os que foram consagrados por um só Batismo. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos pelos Judeus, aos quais o Senhor nosso Deus falou em primeiro lugar, para que lhes conceda crescer na fidelidade de sua aliança e no amor do seu nome. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, que fizestes vossas promessas a Abraão e seus descendentes, escutai benigno as preces da vossa Igreja. Que o povo da primeira aliança chegue à plenitude da redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos pelos que não creem em Cristo, para que, iluminados pelo Espírito Santo, possam também eles ingressar no caminho da salvação. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, dai aos que não creem em Cristo, que, caminhando sob o vosso olhar com sinceridade de coração, encontrem a verdade. E nós, amando-nos melhor uns aos outros, participando com maior solicitude do mistério da vossa vida, sejamos no mundo testemunhas mais fiéis da vossa bondade. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos pelos que não reconhecem a Deus, para que, buscando de coração sincero o que é reto, mereçam chegar ao Deus verdadeiro. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, vós criastes todos os seres humanos e pusestes em seu coração o desejo de procurar-vos para que, tendo-vos encontrado, só em vós achassem repouso. Concedei que, entre as dificuldades deste mundo, discernindo os sinais da vossa bondade e vendo o testemunho das boas obras daqueles que creem em vós, tenham a alegria de proclamar que sois o único Deus verdadeiro e Pai de todos os seres humanos. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos por todos os governantes: que Deus nosso Senhor, segundo sua vontade, lhes dirija o espírito e o coração, para a verdadeira paz e liberdade de todos. Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, que tendes na mão os corações dos seres humanos e os direitos dos povos, olhai com bondade aqueles que nos governam. Que por vossa graça se consolidem por toda a terra a prosperidade das nações, a segurança da paz, e a liberdade religiosa. Por Cristo, nosso Senhor. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
Diácono: Oremos, amados irmãos e irmãs, a Deus Pai todo-poderoso, que livre o mundo de todo erro, expulse as doenças e afugente a fome, abra as prisões e liberte os cativos, vele pela segurança dos viajantes, repatrie os exilados, dê a saúde aos doentes e a salvação aos que agonizam.Ajoelhemo-nos.
Todos se ajoelham e rezam em silêncio.
Diácono: Levantemo-nos.
Dom Osvaldo: Deus eterno e todo-poderoso, sois a consolação dos aflitos e a força dos que labutam. Cheguem até vós as preces dos que clamam em sua aflição, sejam quais forem os seus sofrimentos, para que em suas provações se alegrem com o socorro da vossa misericórdia. Por Cristo, nosso Senhor.
Todoos: Amém.
O diácono entra com a cruz coberta ladeado de dois ceroferários. Chegando ao altar ele vai descobrindo a cruz em três etapas cantando a cada vez a aclamação a qual todos respondem de joelhos.
Diácono: Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo!
Todos: Vinde adoremos!
O senhor bispo retira as vestes episcopais e os sapatos e adora a cruz com três genuflexões e depois a beija. Após segue-se o clero e todos os fieis enquanto se canta.
D. Osvaldo: Nossa prece prossigamos invocando a vinda do Reino:
Todos: Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Dom Osvaldo: Que a vossa bênção, Senhor, desça copiosa sobre o vosso povo, que acaba de celebrar a morte do vosso Filho na esperança da sua ressurreição. Venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo, cresça a fé verdadeira e a redenção eterna se confirme. Por Cristo, nosso Senhor.
Todos: Amém.
Todos se retiram em silêncio.
