Catedral-Santuário de Aparecida, Diocese de Bauru e São Vicente

Celebração da Ceia do Senhor

DIOCESE DE BAURU E SÃO VICENTE
DUCADO DA MANTIQUEIRA
CONDADO ECLESIÁSTICO DE APARECIDA

Catedral-Santuário
Nossa Senhora da Conceição Aparecida

Solene Ação Litúrgica da
Ceia do Senhor

Ceia do Senhor

Quanto a nós, devemos gloriar-nos na cruz
De nosso Senhor Jesus Cristo
Que é nossa salvação, nossa vida
Nossa esperança de ressurreição
E pelo qual fomos salvos e libertos

Esta é a noite da ceia pascal
A ceia em que o nosso Cordeiro se imolou

Esta é a noite da ceia do amor
A ceia em que Jesus por nós se entregou

Esta é a ceia da nova aliança
A aliança confirmada no sangue do Senhor

D. Osvaldo: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Todos: Amém.

D. Neymar: A paz esteja convosco.
Todos: O amor de Cristo nos uniu.

D. Neymar: O Senhor Jesus que nos convida à mesa da Palavra, nos chama à conversão. Reconheçamos ser pecadores e invoquemos com confiança a misericórdia do Pai.

D. Neymar: Confessemos os nossos pecados.
Todos: Confesso a Deus todo-poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, (batendo no peito) por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos anjos e santos, e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

D. Neymar: Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.
Todos: Amém.

Kyrie eleison. Kyrie eleison.
Christe eleison. Christe eleison.
Kyrie eleison. Kyrie eleison.

D. Osvaldo: Gloria in excelsis deo …

Et in terra pax hominibus bonae voluntatis.

Laudamus te
Benedicimus te
Adoramus te
Glorificamus te
Gratias agimus tibi
Propter magnam gloriam tuam
Domine Deus, Rex caelestis
Deus Pater omnipotens.

Domine Fili unigenite, Jesu Christe,
Domine Deus, Agnus Dei, Filius Patris
Qui tollis peccata mundi, miserere nobis
Qui tollis peccata mundi, suscipe deprecationem nostram
Qui sedes ad dexteram Patris, miserere nobis
Quoniam tu solus sanctus

Tu solus Dominus
Tu solus altissimus, Jesu Christe
Cum sancto Spiritu, in gloria Dei Patris
Amen

D. Osvaldo: OREMOS:

Ó Pai, estamos reunidos para a santa Ceia, na qual o vosso Filho Unigênito, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Todos: Amém.

Leitura do Livro do Êxodo

Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: “Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: ‘No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro. O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde. Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerdes. Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘Passagem’ do Senhor! E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor. O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua”.

Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.

O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.

Que poderei retribuir ao Senhor Deus
por tudo aquilo que ele fez em meu favor?
Elevo o cálice da minha salvação,
invocando o nome santo do Senhor.

É sentida por demais pelo Senhor
a morte de seus santos, seus amigos.
Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,
mas me quebrastes os grilhões da escravidão!

Por isso oferto um sacrifício de louvor,
invocando o nome santo do Senhor.
Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
na presença de seu povo reunido.

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.

Irmãos: o que eu recebi do Senhor, foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.

Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.

Eu vos dou um novo mandamento:
Que vos ameis uns aos outros
assim como eu vos amei,
diz o Senhor.

D. Osvaldo: O Senhor esteja convosco.
Todos: Ele está no meio de nós.
D. Osvaldo: Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João.
Todos: Glória a vós, Senhor.

Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”. Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”. Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”. Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”. Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.

Palavra da Salvação.
Todos: Glória a vós, Senhor.

Homilia

Majestades, Dom Gustavo e Dona Stefany,
Irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje a Igreja tira as vestes da penitência e do luto e se veste de festa, pois recordamos o dom maior que o Senhor nos fez. E toda a celebração de hoje nos aponta para este dom.

Nós inciamos recordando que nossa glória está na Cruz do Senhor Jesus Cristo, que nela está a nossa salvação e a nossa vida. A cruz, outrora sinal de maldição e de flagelo desponta como sinal de salvação e motivo de glória na abertura deste tríduo santo da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Para compreendermos plenamente precisamos olhar para a tarde daquela quinta-feira. Quando o Senhor tendo amado os seus, que somosm nós, amou-nos até o fim.

Para nós, esta noite da nova páscoa é também a primeira dentre todas as noites, pois nela o Senhor entrou em sua Paixão e nós entramos com ele para participarmos igualmente da sua ressurreição. Assim como o povo de Israel não tinha noção da obra maravilhosa que Deus estava prestes a realizar em seu favor também os discípulos não tinham ideia do tipo de salvação que Cristo operaria. E nós, será que temos ideia da obra maravilhosa que estamos prestes a contemplar mais uma vez.

O drama da Paixão tem início ao redor de uma mesa, uma ceia, uma refeição entre amigos. O Senhor parte o pão e diz que é seu corpo entregue. Me pergunto a surpresa dos discípulos ao ouvirem estas palavras. Depois passa o cálice – que fazia parte do ritual da antiga aliança e anuncia uma nova aliança em seu sangue. Qual deve ter sido o estupor dos discípulos ante estas palavras do mestre. Os judeus não consomem sangue – é terminantemente proibido pela lei. “Tomai, bebei, este é o meu sangue derramado.” parece quase uma afronta, uma brincadeira de mal gosto. Somente no dia seguinte estas palavras tomariam pleno significado.

Os discípulos parecem confusos. O mestre retira o manto e começa a lavar os pés. Esta era a função dos criados. Pedro se revolta e nada entende: “O que estais a fazer? Meus pés não lavarás!” Jesus pacientemente explica: “Se eu vossos pés hoje lavei, lavai os pés uns dos outros.”

Não foi somente o sangue que correu da cruz. Foi a própria caridade divina que derramou-se sobre a humanidade. Já não é mais sangue de cordeiro que marca nossas portas, mas o sangue do Cordeiro-Jesus que marca nossas almas. A libertação está completa.

Eucaristia, Sacerdócio e Caridade, os três elementos que a liturgia de hoje nos apresenta não são desconexos mas se encontram em Cristo. A Eucaristia se torna naquela ceia o memorial perpétuo de uma nova aliança: “Fazei isto em memória de mim!” selada não pelo sangue de cordeiros, mas pelo sangue que escorreu da Cruz.

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” Ele dá o exemplo primeiro. Se abaixa para servir e deita-se sobre a Cruz para nos amar. O amor mútuo do qual somos devedores não é uma resposta a um amor humano, ou a espera de uma reconhecimento futuro, antes é resposta ao amor derramado abundantemente sobre nós nesta noite.

O que celebramos hoje toma sentido pleno somente no raiar da manhã de páscoa. Quando a vida se faz entrega, a morte já não tem mais a palavra final, mas antes é amor que vencerá, pois bem sabemos que nada é mais forte que o amor.

Entremos, irmãos, reverentes, neste mistério que celebramos. Mistério da vida entregue, do amor derramado que renovamos a cada Eucaristia sobre altar.

O senhor bispo se desveste das roupas episcopais e se cinge com a toalha para lavar, enxugar e beijar os pés de doze fieis enquanto se canta.

D. Osvaldo: Nossa prece prossigamos invocando a vinda do Reino:

Todos:

Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

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